POLÍCIA

Em caminhada de Petrolina a Recife, pais da pequena Beatriz passarão por Belo Jardim amanhã (21)
Caminhada de 712 Km tem o objetivo de sensibilizar o governo do estado a solucionar o caso do homicídio da garota acontecido há 6 anos.


Imagem/Reprodução da internet

Os pais da pequena Beatriz Angélica, Sandro Romilton Mota e Maria Lúcia Mota, iniciaram a "Caminhada por Justiça" no último dia 05 de dezembro, saindo de Petrolina e percorrendo 712,6 Km até a capital pernambucana, com a intenção de sensibilizar o governador Paulo Câmara (PSB) a aceitar a parceira com os policiais estadunidenses e também avaliar o pedido de federalização do caso.

Seguindo o trajeto, nesta terça-feira (21), o casal chegará ao nosso município, onde será recebido pelos belo-jardinenses no trevo que liga Belo Jardim a São Bento do Una, onde irão em caminhada até área próxima do Hotel Lacazzona.

Segundo é informado na cidade, a Prefeitura de Belo Jardim dará total apoio, colocando médicos à disposição dos pais, que estão há 15 dias em caminhada, lutando por justiça.

CASO BEATRIZ

Beatriz Angélica Mota, natural de Juazeiro - BA, de apenas sete anos, foi morta com 42 facadas em 10 de dezembro de 2016, durante uma festa de formatura no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora onde estudava e onde seu pai dava aula. O crime, que está em "segredo de justiça", permanece sem solução até hoje.

No dia 10 de dezembro de 2015, Beatriz acompanhou os pais à cerimônia de formatura da irmã. Tanto ela como a irmã estudavam na instituição. Durante o evento, que contou com a presença de cerca de 2.500 pessoas, Beatriz pediu permissão a sua mãe para tomar água em um bebedouro que ficava em baixo da quadra onde o evento acontecia. Seus pais notaram sua ausência cerca de meia hora depois, e seu pai interrompeu a apresentação de uma banda para chamar por ela.

As buscas pela menina começaram imediatamente, tendo seu corpo sido encontrado numa sala desativada pelas 22h50min. O corpo apresentava ferimentos de faca no tórax, membros superiores e inferiores. A faca usada no crime foi encontrada próximo à criança. O laudo constou que o corpo de Beatriz apresentava 42 facadas, um ato de extrema violência

O local onde o crime aconteceu é incerto, mas a polícia diz que não foi onde o corpo foi encontrado. "O local onde o corpo de Beatriz foi encontrado não apresentava vestígios de que o crime ocorreu ali. Não havia fuligem no corpo da criança, o que aponta que ela não entrou no local andando ou arrastada", escreveu o G1 em março de 2016, que ainda reportou que no mês de outubro anterior, ex-alunos tinham colocado fogo nesta sala. Ainda haviam duas hipóteses sobre o motivo do crime, a primeira sendo um tipo de vingança para a família da garota e a segunda sobre um possível ritual de magia negra. Sobre o local onde a menina foi morta, muitos suspeitam de um sala de balé, que ficava próximo a área do bebedouro, que foi reformada dias depois do crime.

"Ocorreu a execução do crime em um outro local da escola, a criança foi transportada e jogada dentro do depósito, atrás do armário. Isso é uma conclusão que a polícia científica chegou. O laudo só saiu agora e por isso estamos fazendo essa divulgação. Isso traz questionamentos, como se deu toda essa logística confirma a probabilidade de que mais de uma pessoa teve participação", disse o delegado à G1 na época.

PRIMEIRAS INVESTIGAÇÕES

Em fevereiro de 2016, o primeiro delegado responsável pelas investigações, Marceone Ferreira, disse que não descartava a participação de mais de uma pessoa no crime. Na época também, um retrato falado de um suspeito, um homem de camisa verde que foi visto na área dos bebedouros, foi divulgado.

O ANDAMENTO DO CASO

Conforme as investigações seguiam, uma perícia apontou 3 meses depois que ao menos cinco pessoas estavam, de alguma forma, envolvidas no crime, sendo que todas eram funcionárias da escola. O promotor do Ministério Público (MP) de Petrolina, Carlan Carlo da Silva, declarou que o assassinato poderia ter motivação religiosa, para atingir o colégio católico. Ele também disse que poderiam ter ocorrido falhas da Polícia Civil nas primeiras horas da investigação do crime.

Em setembro de 2016, a polícia divulgou um vídeo do suspeito andando ao redor do colégio e entrando na quadra onde acontecia a festa, 20 minutos antes de Beatriz ser vista pela última vez.

Novas imagens do suspeito foram divulgadas em março de 2017.

Em julho de 2018, Alisson Henrique Carvalho Cunha foi conduzido coercitivamente pela polícia para prestar depoimento por ter apagado as imagens de uma câmera de segurança, no entanto, o advogado do colégio diz que as imagens não foram apagadas na escola, mas sim por um erro da polícia. Alisson, que era funcionário do colégio na época do crime, chegou a ter a prisão decretada, decisão revogada depois porque o "inquérito não estaria concluído".

Em outubro de 2019, quase quatro anos após o crime, os pais resolveram começar uma investigação paralela à da polícia.

Em abril de 2020, uma denúncia revelou que suspeito de matar Beatriz poderia estar no Piauí.

PAI ACUSA POLÍCIA DE ATRAPALHAR AS INVESTIGAÇÕES

O pai de Beatriz disse em outubro de 2019 que um investigador particular contratado pela família afirmou que agentes da polícia estariam atrapalhando as investigações. "Na nossa investigação paralela, a gente descobriu coisas que nem gostaria de falar. Está tendo certo desvio de função. A gente está descobrindo que alguns agentes que participaram da investigação de Beatriz, de uma certa maneira, atrapalharam as investigações", disse para uma rádio. Já a Polícia Civil se pronunciou dizendo que continuava "empenhada na elucidação do caso".

Em 2018, o advogado do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora já havia dito que imagens haviam sido apagadas por uma falha da Polícia Civil no manuseio dos HDs.

TROCA DE DELEGADOS

Até maio de 2020, cinco delegados já haviam trabalhado no caso: Marceone Ferreira foi o primeiro delegado a conduzir as investigações; em dezembro de 2017, a delegada Gleide Ângelo assumiu o caso; em dezembro de 2018, a delegada Pollyanna Neri foi indicada para chefiar as investigações; em março de 2020, Isabella Cabral Fonseca Pessoa e João Leonardo Freire Cavalcanti foram indicados para liderar o caso.




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